
O FOLHA DO SUL ON LINE entrou contato ontem (sexta-feira, 23), com o advogado vilhenense Isaque Donadon Gardini, que apresentou a “Defesa Técnica” das duas médicas acusadas de torturar uma mulher boliviana na cidade de Guajará-Mirim.
O caso repercutiu em todo o Brasil, após ambas as acusadas serem presas pela Polícia Federal. Vídeos mostrando cenas de humilhação da vítima, que teve seus cabelos cortados pelas médicas (CLIQUE ABAIXO e assista, em sequência, os dois vídeos que mostram as agressões classificadas como tortura).
Diversos portais de notícias publicaram que a boliviana foi atraída da cidade de Guayaramerín para o lado brasileiro do rio Mamoré. A motivação das agressões seria ciúmes, já que o marido de uma das acusadas estaria mantendo um relacionamento com a estrangeira.
O profissional do Direito de Vilhena, que atualmente reside na cidade fronteiriça, explicou ao FOLHA DO SUL ON LINE que, inicialmente, a estratégia da defesa é mostrar que as acusadas se apresentarem espontaneamente, ao contrário do que vem sendo divulgado.
No curso do processo, alega Isaque, todas as acusações serão contestadas com provas, mas ele esclarece que, por enquanto, não pode antecipar o que será alegado na discussão de mérito na justiça.
“NOTA À IMPRENSA
A defesa técnica das investigadas Nagyla e Priscila, mencionadas em recentes reportagens, vem, de forma respeitosa, prestar esclarecimentos objetivos, a fim de evitar a disseminação de informações imprecisas.
Diferentemente do que foi noticiado, não houve captura das investigadas. Ambas se apresentaram espontaneamente, acompanhadas de seu advogado, Dr. Isaque Donadon Gardini, após alinhamento prévio com a autoridade policial responsável, com o objetivo de regularizar a situação e colaborar com o andamento das investigações, em estrita observância à legalidade.
As mensagens trocadas entre a Defesa e a Autoridade Policial, preservadas sem exposição de dados sensíveis, demonstram de forma inequívoca esse procedimento, evidenciando que todo o processo ocorreu de maneira colaborativa, transparente e adequada.
Assim, atribuir o não encontro das investigadas em determinados endereços a uma suposta “fuga” não corresponde à realidade. Elas já se encontravam em território boliviano antes do cumprimento das diligências, de modo que eventual ausência decorre de circunstância pré-existente, e não de evasão posterior.
Diante da repercussão do caso, diversas informações divulgadas não refletem os fatos, gerando interpretações distorcidas e prejudiciais à defesa e as investigações. Ressalta-se que Nagyla e Priscila são médicas formadas na Bolívia, possuem especialização naquele país, cidadania boliviana e vínculos profissionais regulares no território boliviano, o que reforça a inexistência de intenção de evasão.
Destaca-se, ainda, que as investigadas não possuem antecedentes criminais, conforme documentação pertinente.
Guajará-Mirim/RO, 23 de janeiro de 2026”.
Fonte: Folha do Sul