De Rondônia para a neve: a história do 1º pódio na Paralimpíada de Inverno, conquistado por um atleta de Cerejeiras

Cristian Ribera conquistou uma medalha inédita para o esporte paralímpico brasileiro com a prata nos Jogos de Milão Cortina (Itália), no esqui cross-country na categoria sitting (atletas com deficiência nos membros inferiores).
“Estou muito feliz, é um sonho realizado. A próxima meta, claro, é o ouro. Poder estar no pódio, representando o Brasil... Estou muito orgulhoso. É muito especial para mim”, disse o medalhista após a conquista.
Natural de Cerejeiras, cidade do Cone Sul de Rondônia, Cristian nasceu com artrogripose, uma doença congênita das articulações das extremidades. Em busca de tratamento, a família mudou-se para Jundiaí, São Paulo, quando ele tinha apenas dois anos.
Ribera, que já passou por 21 cirurgias para a correção das pernas, não viu limitações para o amor pelo esporte. Além do esqui cross-country, também faz natação, atletismo e anda de skate.
Ele conheceu a modalidade de inverno em 2015, aos 12 anos, quando o PEAMA (Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas), onde praticava esportes, realizou uma atividade de rollerski adaptado, em uma ação em parceria com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).
“Os professores falaram que ia ter uma experiência de um esporte de inverno e eu fui lá de curioso mesmo”, relembra Cristian, que deu essa declaração no ano passado.
Cristian Ribera chamou a atenção quando, aos 15 anos, tornou-se o atleta mais jovem a participar dos Jogos Paralímpicos de Inverno PyeongChang-2018. Também esteve na edição de Pequim-2022.
Ele também é o primeiro brasileiro a conquistar o Globo de Cristal no esqui cross-country paralímpico, sagrando-se campeão geral da temporada 2024/2025.
Ao lado de Aline Rocha, Cristian foi porta-bandeiras do Brasil na cerimônia de abertura desta edição dos Jogos. Os dois fazem parte do Time SP.
"É minha segunda vez como porta-bandeira ao lado da Aline, fico muito feliz por representar o país mais uma vez. Nosso time cresceu muito nos últimos anos, e saber que sou um dos pioneiros da modalidade no Brasil me dá ainda mais responsabilidade e orgulho. Em Pequim-2022 eu não estava 100%. Treinei bem, mas tive problemas físicos na reta final. Desta vez fiz um bom ciclo, consegui treinar e competir bem, estou bastante confiante", afirmou Ribera, na ocasião.
MEDALHA CONFIRMA BOM CICLO
A medalha em Milão-Cortina confirma a boa fase de Christian Ribera neste ciclo. Nos últimos quatro anos, foram 16 medalhas entre etapas de Mundial e Copa do Mundo, com sete ouros, três pratas e seis bronzes.
FAMÍLIA NO ESPORTE
Cristian Ribera é treinado por Fábio, irmão dele. Além disso, o paratleta é irmão mais velho de Eduarda Ribera, que integrou a seleção brasileira de esqui cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022 e Milão-Cortina 2026.
Ele se emocionou ao ver a reação da mãe à medalha de prata em Milão-Cortina. "Essa [medalha] é para eles. O meu comprometimento é por tudo que eles me ensinaram... Meus irmãos. Obrigado 'família WR' [Westemaier Ribera], vocês são fod...”
A medalha de Ribera, a primeira do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno, acontece quase um mês após o ouro de Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante do esqui alpino.
UOL