Mesmo reconhecido por muitos como um gestor ativo e presente, o prefeito Léo Moraes cometeu um dos maiores deslizes de sua administração ao deixar a cidade literalmente coberta de lixo. Em meio a uma crise sem precedentes na coleta, com montes de resíduos espalhados pelos bairros, larvas se multiplicando e nuvens de moscas tomando conta das casas, o prefeito viajou para a Europa — gesto que caiu como uma afronta à população que convive com o caos nas ruas.
Moradores relatam que a situação ultrapassou os limites do incômodo e passou a ser uma ameaça à saúde pública. “A gente não consegue nem comer em paz, é mosca por todo lado. O lixo está virando criadouro de larvas”, desabafou uma moradora do bairro Areal.
O que mais revoltou os porto-velhenses foi descobrir que, enquanto a cidade afundava em lixo, o prefeito estava fora do país. Léo Moraes chegou a postar vídeos nas redes sociais como se ainda estivesse em Porto Velho. A população só soube da ida à Europa depois que ele já havia chegado de lá— o que gerou ainda mais indignação e sensação de abandono.
Mesmo com acertos em outras áreas — como investimentos em infraestrutura e melhorias urbanas —, o episódio manchou a imagem de uma gestão que até então era vista como eficiente e moderna. De nada adianta asfaltar ruas e reformar praças se o básico, que é o recolhimento do lixo, não funciona.
Porto Velho não pode se acostumar com o descaso disfarçado de crise contratual. O que se vê hoje é uma cidade abandonada à própria sorte, convivendo com o lixo, as moscas e os urubus.
Por André Soares




