O “vacilo” do prefeito Léo Moraes que sujou a boa gestão

Mesmo reconhecido por muitos como um gestor ativo e presente, o prefeito Léo Moraes cometeu um dos maiores deslizes de sua administração ao deixar a cidade literalmente coberta de lixo. Em meio a uma crise sem precedentes na coleta, com montes de resíduos espalhados pelos bairros, larvas se multiplicando e nuvens de moscas tomando conta das casas, o prefeito viajou para a Europa — gesto que caiu como uma afronta à população que convive com o caos nas ruas.


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A chamada “crise do lixo” não surgiu do nada. O impasse entre a Prefeitura e a empresa responsável pela coleta, a ECOPVH, já se arrastava há semanas, mas a situação desandou de vez quando os caminhões pararam de circular e os resíduos começaram a se acumular nas calçadas. Em poucos dias, o cenário urbano de Porto Velho se transformou em um verdadeiro campo de sujeira e mau cheiro.

Moradores relatam que a situação ultrapassou os limites do incômodo e passou a ser uma ameaça à saúde pública. “A gente não consegue nem comer em paz, é mosca por todo lado. O lixo está virando criadouro de larvas”, desabafou uma moradora do bairro Areal.


O que mais revoltou os porto-velhenses foi descobrir que, enquanto a cidade afundava em lixo, o prefeito estava fora do país. Léo Moraes chegou a postar vídeos nas redes sociais como se ainda estivesse em Porto Velho. A população só soube da ida à Europa depois que ele já havia chegado de lá— o que gerou ainda mais indignação e sensação de abandono.


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Mesmo com acertos em outras áreas — como investimentos em infraestrutura e melhorias urbanas —, o episódio manchou a imagem de uma gestão que até então era vista como eficiente e moderna. De nada adianta asfaltar ruas e reformar praças se o básico, que é o recolhimento do lixo, não funciona.

Porto Velho não pode se acostumar com o descaso disfarçado de crise contratual. O que se vê hoje é uma cidade abandonada à própria sorte, convivendo com o lixo, as moscas e os urubus.



Por André Soares