Guajará-Mirim (RO) — O que deveria ser um dos maiores símbolos da história e da cultura do município se transformou em um retrato de abandono. O Museu Histórico Municipal de Guajará-Mirim, instalado no prédio da antiga estação final da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), encontra-se em situação crítica, cercado por mato alto, estruturas deterioradas e relatos de furtos que deixaram o espaço praticamente vazio.
O local, que já abrigou importantes peças, documentos e objetos que contavam a trajetória da ferrovia e do desenvolvimento da região, hoje é marcado pelo abandono total do poder público. Segundo moradores, a falta de vigilância e de manutenção vem permitindo constantes invasões e furtos, resultando no sumiço de itens históricos de valor inestimável.
“É revoltante ver um patrimônio desses entregue às traças. Roubaram tudo, o mato tomou conta e ninguém faz nada. É como se nossa história não tivesse valor”, lamenta um morador da cidade que frequentava o museu quando ainda funcionava.
O prédio, que faz parte da memória da EFMM — uma das mais importantes obras do início do século XX —, sofre com o descaso das autoridades estaduais e municipais, que não têm apresentado qualquer plano de recuperação ou preservação.
Enquanto o tempo e o vandalismo avançam, Guajará-Mirim perde, dia após dia, um pedaço da sua identidade. O abandono do museu representa mais que a degradação de um prédio histórico: é o apagamento da memória cultural de todo um povo que ajudou a construir a história da Amazônia.
Moradores cobram uma ação urgente das autoridades para resgatar o espaço, promover sua restauração e garantir que as futuras gerações possam conhecer e valorizar o legado deixado pela Estrada de Ferro Madeira-Mamoré — antes que o último vestígio dessa história desapareça completamente.
