Recruta morreu após infecção no joelho durante treinamento do Exército em Rondônia

PUBLICADO EM: outubro 20, 2026
                                    
Foto: Tami Taketani/Ponte Jornalismo

A família de Esdras de Souza Silva, que morreu aos 19 anos após ingressar no Exército em Rondônia, continua buscando justiça e responsabilização pelo caso. O jovem foi incorporado como recruta em 2022, em Porto Velho, e sofreu uma grave infecção no joelho durante o período de treinamento militar.


Esdras participava de atividades no 5º Batalhão de Engenharia de Construção (5º BEC), quando, em abril de 2022, foi obrigado, junto com outros recrutas, a percorrer cerca de 50 metros de joelhos sobre um terreno irregular com pedras, carregando mochila pesada e fuzil. A punição teria ocorrido após ele e outros soldados não conseguirem comer a refeição servida no acampamento.


O jovem sofreu um corte profundo no joelho. De acordo com o relato de sua mãe, Sônia de Souza, mesmo ferido, ele foi levado a entrar em um lago com água suja e restos de alimentos. A família afirma que não houve atendimento médico adequado no momento em que ele precisava de ajuda.

                            
Foto: Tami Taketani/Ponte Jornalismos

Esdras foi diagnosticado com artrite séptica, uma infecção grave na articulação. Ele passou por cirurgia e permaneceu internado, mas seu estado de saúde piorou. Após ser transferido para hospitais em Porto Velho e São Paulo, morreu em 4 de junho de 2022, com quadro de pancreatite aguda, conforme a reportagem.

A sindicância conduzida pelo Exército concluiu que não havia relação causal entre o tratamento recebido durante o treinamento e a morte do recruta. A família contesta essa conclusão. Segundo a Ponte Jornalismo, os familiares não foram ouvidos durante a sindicância, que terminou sem responsabilização de envolvidos.

Atualmente, a família move uma ação reparatória contra a União. Sônia também se uniu a outras mães que perderam filhos durante o serviço militar e cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias das mortes.

Em uma manifestação nas redes sociais, familiares reforçaram o pedido de justiça por Esdras e prestaram solidariedade à mãe do jovem. “Não vamos deixar essa história ser esquecida”, diz um trecho da publicação.

A família pede que os fatos sejam esclarecidos e que eventuais responsáveis sejam responsabilizados conforme a lei.

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