Médico do SUS é processado por cobrar Pix de paciente para realizar cirurgia

PUBLICADO EM: setembro 15, 2026


​Um médico ortopedista que atuava como servidor da rede estadual de saúde foi alvo de uma Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), por meio da 6ª Promotoria de Justiça de Porto Velho.

A investigação aponta que o profissional utilizou seu cargo público para obter vantagem financeira indevida em cima de uma paciente atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

​De acordo com as apurações, o caso aconteceu no dia 6 de novembro de 2023, durante um plantão pago com recursos públicos em um hospital e pronto-socorro da capital.

Na ocasião, o médico teria abordado o familiar de uma paciente dentro da unidade pública para propor a realização de uma cirurgia simples de fixação em caráter particular, no mesmo dia, mediante pagamento.

A proposta foi aceita devido à longa espera prevista no sistema público, estimada em cerca de uma semana pelo próprio corpo clínico.

​Registros hospitalares comprovaram que o pagamento foi feito por meio de duas transferências via Pix diretamente para a conta pessoal do médico, sem emissão de nota fiscal.

Para o Ministério Público, a conduta configurou enriquecimento ilícito, visto que a oportunidade de negócio surgiu unicamente da função pública e do acesso privilegiado ao prontuário e exames da paciente.

​O caso também passou pela esfera administrativa, onde a Corregedoria-Geral da Administração conduziu um processo disciplinar com direito ao contraditório e à ampla defesa, culminando na demissão do servidor por meio de decreto publicado em 6 de abril de 2026.

No entanto, o MP ressalta que a punição administrativa não esgota as medidas legais cabíveis.

​Na nova ação judicial, o órgão ministerial pede a indisponibilidade de bens do investigado até o limite de R$ 5.200,00, o ressarcimento do valor obtido ilicitamente, o pagamento de multa civil, a suspensão dos direitos políticos e a proibição de contratar com o Poder Público.

Além disso, foi solicitada a expedição de ofícios ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e ao fisco municipal para que apurem as respectivas responsabilidades.

O processo tramita na Justiça e assegura ao investigado o direito à ampla defesa, prevalecendo a presunção de inocência até o julgamento definitivo.

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