Jovem morta em Londrina havia relatado a amigo visitas frequentes de suspeito à academia

PUBLICADO EM: setembro 17, 2026

Antes de ser assassinada a facadas durante uma tentativa de estupro, a jovem Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, havia enviado áudios a um amigo relatando visitas frequentes de um homem à academia onde trabalhava, em Londrina, no Norte do Paraná.

Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), os áudios fazem parte do inquérito que investiga a morte da jovem. A corporação informou que os elementos reunidos até o momento indicam que o homem mencionado por Thaissa como um “menino” seria Gabriel de Andrade, também de 21 anos, preso em flagrante após o crime.

Thaissa trabalhava na distribuição de panfletos em uma academia que estava prestes a ser inaugurada quando foi atacada, na sexta-feira (11). O crime aconteceu no estacionamento do estabelecimento.

Os áudios foram enviados ao amigo no dia 8 de setembro, três dias antes do assassinato. Nas mensagens, Thaissa relatava que o homem já havia ido várias vezes ao local, inclusive para perguntar sobre oportunidades de emprego e conhecer as instalações.

Em determinado momento, a jovem demonstrou preocupação com a insistência das visitas. Ela contou ao amigo que chegou a acompanhar o homem durante uma visita pela academia e comentou sobre a existência de câmeras de segurança.

De acordo com a investigação, Gabriel havia se candidatado a uma vaga de emprego na academia antes do crime. O gerente do estabelecimento confirmou à polícia que ele esteve no local, mas não foi selecionado.

O amigo de Thaissa também relatou à RPC que chegou a encontrar Gabriel em uma das ocasiões em que ele esteve na academia, embora os dois não tenham conversado.

Suspeito foi preso após crime

Após o ataque, Gabriel deixou o local e parou em uma rua próxima porque apresentava ferimentos na mão. Segundo a polícia, ele afirmou inicialmente que havia sido vítima de um assalto.

O Samu e a Polícia Militar foram acionados. Enquanto as equipes atendiam a ocorrência, trabalhadores que chegaram à academia encontraram manchas de sangue e comunicaram o fato às autoridades.

Os policiais foram até o estabelecimento e localizaram Thaissa morta. Segundo a Polícia Civil, após ser confrontado, Gabriel confessou o crime.

Ainda conforme a polícia, ele teria declarado que pretendia estuprar a jovem e que, diante da impossibilidade de consumar o ato, teria cometido o assassinato.

Gabriel foi preso em flagrante e permanece custodiado. Ele foi indiciado, segundo as informações divulgadas pela polícia, por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro.

A investigação aponta ainda que Thaissa foi atingida por 44 golpes de faca.

Defesa afirma que acusado tem TEA

A defesa de Gabriel informou que acompanha o caso e que aguarda o avanço das investigações e das medidas judiciais.

Em nota, o advogado Antônio Magalhães afirmou que o acusado possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e defendeu que as condições pessoais e comportamentais dele sejam analisadas de forma técnica pelas autoridades.

A defesa ressaltou que não pretende utilizar o diagnóstico como justificativa para o crime e destacou a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.

Segundo o advogado, Gabriel colaborou com as autoridades e prestou esclarecimentos. A defesa também afirmou que pretende garantir ao acusado atendimento adequado durante o período de custódia.

As circunstâncias do crime continuam sendo investigadas pela Polícia Civil.

Leia Também