Empresário de Rondônia deixa os negócios para lutar na Guerra da Ucrânia: "Estou do lado certo"

PUBLICADO EM: julho 12, 2026

Enquanto muitos sonham em deixar uma rotina de trabalho em busca de tranquilidade, o empresário rondoniense Antonio Pianco fez o caminho oposto. Ex-proprietário de um restaurante de sushi em Ariquemes, ele deixou a vida empresarial em Rondônia para se voluntariar nas forças ucranianas em meio ao conflito contra a Rússia.

 Em entrevista exclusiva ao Mídia Rondoniense, concedida ao jornalista André Soares, Antonio contou o que o motivou a atravessar o mundo para enfrentar uma guerra, como é a rotina de treinamentos e os riscos constantes que enfrenta diariamente.

Entrevista

André Soares: O que te fez decidir sair de Porto Velho para ir até a Ucrânia?

Antonio Pianco: Ao contrário do que muitos pensam, não estou aqui por dinheiro. No Brasil eu era empresário, tinha um restaurante de sushi há seis anos na cidade de Ariquemes e sempre ganhei muito bem. Mas acompanho a escalada da guerra há muito tempo e vi diversas atrocidades que os russos fazem contra a população ucraniana, matando crianças e idosos. Na minha visão, a Ucrânia luta para defender sua liberdade e sua soberania. Eu acredito que estou do lado certo. Não vim com o intuito de matar pessoas, mas de ajudar nossos semelhantes. Se um dia o Brasil passasse por uma situação parecida, acredito que também precisaríamos da ajuda de outras nações.

André Soares: Qual foi a situação mais perigosa ou tensa que você viveu até agora?

Antonio Pianco: Os ataques constantes de drones inimigos. A cidade onde estou, cujo nome não posso revelar por questão de segurança, sofre ataques frequentes. É uma tensão permanente.

André Soares: Como é o seu dia a dia aí no meio do conflito?

Antonio Pianco: Estamos passando por um treinamento intenso de guerra e sobrevivência. A rotina começa às sete da manhã e vai até às sete da noite. É uma preparação muito pesada.

André Soares: O que é o mais difícil de suportar vivendo em uma zona de guerra?

Antonio Pianco: Você precisa manter a cabeça centrada o tempo todo e estar sempre preparado para um ataque. Aqui a sua vida está constantemente em risco.

André Soares: Qual a maior diferença entre a realidade que você vê aí e o que o pessoal comenta no Brasil?

Antonio Pianco: Aqui somos tratados com muito respeito e dignidade. Até o momento, todos os ucranianos nos recebem como heróis, desde as crianças até os mais idosos. Isso não tem preço. Também temos um treinamento muito duro, equipamentos novos e de qualidade. O carinho da população é algo que realmente me marcou.

Atuação com drones

Antonio também revelou que recebeu o nome de guerra "Delta" e que pretende atuar como piloto de drones, área em que já possui experiência. Segundo ele, essa função será sua principal contribuição durante o conflito, utilizando tecnologia para apoiar as operações militares.

A entrevista mostra a história incomum de um rondoniense que trocou a vida de empresário pela linha de frente de um dos maiores conflitos armados da atualidade, movido, segundo ele, por convicções pessoais e pelo desejo de defender a liberdade do povo ucraniano.





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