
A disputa pelas duas vagas de Rondônia no Senado Federal começa a provocar as primeiras fissuras dentro do PL. Ungido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos nomes da legenda para a corrida de 2026, o pecuarista Bruno Scheid já teria percebido que sua eleição está longe de ser uma missão simples diante da quantidade de candidatos competitivos no Estado.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Scheid passou a trabalhar para garantir que sua candidatura seja tratada como prioridade absoluta pelo comando nacional do partido, movimento que inevitavelmente reduziria espaço político e estrutura destinados ao deputado federal Fernando Máximo, também pré-candidato ao Senado pela legenda.
Um dos fatos que alimentou essa leitura foi a ausência de Bruno Scheid na convenção estadual do PL, realizada na noite de quarta-feira (22), em Porto Velho, quando foi oficializada a chapa liderada pelo senador Marcos Rogério ao Governo de Rondônia. Enquanto praticamente todas as principais lideranças da campanha marcaram presença — entre elas Fernando Máximo —, Scheid optou por cumprir agenda em Brasília.
Segundo informações obtidas pela reportagem, a viagem à capital federal teve como objetivo intensificar conversas com a direção nacional do PL. A estratégia seria utilizar o prestígio conquistado junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro para reforçar o pedido de prioridade política e eleitoral à sua candidatura.
Embora o PL tenha dois candidatos, a realidade eleitoral costuma impor uma escolha informal sobre qual nome receberá maior atenção, estrutura e empenho das principais lideranças.
Com Bolsonaro exercendo forte influência sobre as decisões estratégicas da legenda, interlocutores acreditam que as reivindicações de Bruno Scheid tendem a encontrar espaço na direção nacional e Fernando Máximo poderá enfrentar uma campanha mais isolada do que imaginava, mesmo integrando o mesmo partido.
Nos bastidores da política rondoniense, a avaliação é que a disputa pelo Senado dentro do próprio PL pode se tornar tão intensa quanto a travada contra os adversários de outras legendas, transformando aliados em concorrentes diretos pela preferência da estrutura partidária e pelo apoio do maior cabo eleitoral da direita brasileira.