
Os votos femininos podem migrar para Mariana e Cristina
A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ultrapassa os limites familiares e já começa a produzir reflexos políticos dentro do Partido Liberal. Em Rondônia, um dos nomes que pode sentir os efeitos desse racha é o pré-candidato ao Senado Bruno Scheid.
Nos bastidores da política, a avaliação é de que Scheid construiu sua imagem muito mais próxima de Flávio Bolsonaro do que de Michelle. O problema é que a ex-primeira-dama, considerada uma das principais lideranças femininas do campo conservador, mantém boa relação com duas adversárias diretas de Scheid na disputa por uma das vagas ao Senado: Mariana Carvalho e Silvia Cristina.
As duas pré-candidatas, inclusive, trabalham com o discurso de ampliar a representação feminina no Congresso Nacional e defendem a eleição de uma bancada composta por duas mulheres para representar Rondônia no Senado, estratégia que pode ganhar ainda mais força caso Michelle intensifique sua atuação política ao lado de candidaturas femininas.
A crise ganhou novos contornos após Michelle deixar a presidência do PL Mulher em meio ao desgaste com Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama anunciou sua saída depois do conflito público com o enteado, episódio que evidenciou uma divisão interna no grupo político bolsonarista e repercutiu nacionalmente.
Embora não exista, até o momento, qualquer manifestação pública de Michelle em apoio às candidaturas de Mariana Carvalho ou Silvia Cristina, a proximidade política entre elas é observada nos bastidores e alimenta a expectativa de que parte do eleitorado feminino identificado com a ex-primeira-dama possa migrar para essas candidaturas.
Para Bruno Scheid, o momento exige cautela. O eleitorado conservador permanece sendo sua principal base de sustentação, mas uma eventual divisão de lideranças nacionais do bolsonarismo pode dificultar a unificação desse segmento em torno de um único projeto ao Senado em Rondônia.
Se a disputa entre Flávio e Michelle continuar produzindo desdobramentos políticos, a corrida ao Senado no Estado poderá deixar de ser apenas uma disputa regional para se transformar em mais um capítulo dos reflexos do racha na família Bolsonaro sobre as eleições de 2026. Essa possibilidade, contudo, permanece no campo da análise política, já que seus impactos eleitorais ainda dependerão dos próximos movimentos das lideranças envolvidas.