Asfalto em igreja vira alvo do TCE após suspeita de uso de máquinas e servidores públicos

PUBLICADO EM: julho 23, 2026

Tribunal aponta que servidores, máquinas e materiais públicos foram usados na obra. Após as defesas, os conselheiros vão decidir se houve irregularidades e se os envolvidos terão que ressarcir os cofres públicos.

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Porto Velho — Foto: Reprodução/Rondoniaovivo



O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) investiga o uso de dinheiro público para asfaltar o estacionamento da Igreja Assembleia de Deus, em Porto Velho. A obra foi feita em julho de 2025. Segundo o tribunal, servidores, máquinas e materiais da Prefeitura de Porto Velho e do governo de Rondônia foram usados no serviço.

O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 259 mil. Desse total, a Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), ligada à igreja, já devolveu R$ 3 mil após um acordo com o Ministério Público. Nesta parte da investigação, ainda restam R$ 6,3 mil a serem ressarcidos.

A maior parte do prejuízo, cerca de R$ 250,2 mil, envolve a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Segundo os técnicos do TCE-RO, a secretaria usou de forma irregular asfalto, caminhões e rolos compactadores da prefeitura na obra.

O Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO) também é investigado. De acordo com o tribunal, o órgão emprestou máquinas e servidores para transportar e espalhar o asfalto, o que gerou um gasto de R$ 9,3 mil.

O asfalto foi feito no Grande Templo da Assembleia de Deus, localizado no bairro Tiradentes, zona Leste de Porto Velho. O local tem capacidade de receber cerca de 7 mil pessoas.

Depois de analisar as defesas, o TCE-RO vai decidir se houve irregularidades e se os envolvidos terão que devolver o dinheiro aos cofres públicos.

Provas e imagens de satélite

Para comprovar as suspeitas, os auditores usaram imagens de satélite, fizeram vistorias e analisaram fotos com data e localização. As imagens mostram caminhões da Seinfra trabalhando no estacionamento da igreja.

Com essas provas, o tribunal rejeitou a versão apresentada pela Prefeitura de Porto Velho no início da investigação. Na época, o município afirmou que enviou ao local apenas um caminhão-pipa com água reutilizada para diminuir a poeira.

O relator do caso deu 15 dias para que os envolvidos apresentem defesa. Se eles não responderem, o processo será julgado mesmo sem a manifestação deles.

O g1 procurou a Prefeitura de Porto Velho e o Governo de Rondônia, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. A equipe também tenta contato com a defesa da Igreja Assembleia de Deus.




Por Quetlen Caetano, g1 RO


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