A mortandade de peixes no Lago do Cuniã, a redução do nível do Rio Madeira e os céus cobertos por fumaça já são sinais de que Porto Velho está entrando na fase mais severa da estiagem. Segundo alertas da Defesa Civil e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), os próximos 30 a 60 dias devem concentrar os maiores impactos da seca na capital.
De acordo com os órgãos, o período mais crítico é esperado entre o fim de agosto e o fim de setembro. A combinação da estiagem prolongada com os efeitos do fenômeno El Niño, que altera o clima e favorece temperaturas mais elevadas e menos chuvas na região Norte, aumenta os riscos para a população e para o meio ambiente.
Peixes mortos acendem sinal de alerta

Um dos primeiros reflexos desse cenário foi a mortandade de centenas de peixes no Lago do Cuniã, registrada nos últimos dias. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) investiga o caso e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) vão analisar amostras de água para identificar as causas.
A principal hipótese é que a diminuição do oxigênio na água tenha provocado a morte dos peixes. Isso pode acontecer quando a seca reduz o volume dos rios e lagos, enquanto o calor intenso acelera a decomposição de matéria orgânica, consumindo o oxigênio disponível.
Rio Madeira continua baixando
Outro motivo de preocupação é o nível do Rio Madeira, que segue em queda. Com menos água, aumentam os riscos para a navegação, o transporte de mercadorias, o abastecimento de combustíveis e o deslocamento das comunidades ribeirinhas.
Caso a estiagem continue se intensificando, alguns trechos do rio poderão apresentar dificuldades para embarcações de maior porte.
Fumaça deve aumentar
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Fumaça encobre céu de Porto Velho — Foto: Tiago Frota/Rede Amazônica
Além da seca, especialistas alertam para o aumento das queimadas nas próximas semanas. Com o tempo mais seco e quente, cresce o número de incêndios florestais e em áreas urbanas, fazendo com que a fumaça tome conta do céu.
Nos últimos dias, moradores já perceberam o amanhecer com o céu avermelhado, resultado da grande quantidade de fumaça suspensa na atmosfera.
A tendência é que a qualidade do ar piore durante agosto e setembro, aumentando os problemas respiratórios, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças como asma e bronquite.
O que esperar nos próximos meses?
Segundo as previsões climáticas, Porto Velho poderá enfrentar:
Temperaturas ainda mais altas;
Umidade do ar muito baixa, podendo ficar abaixo de 20% em alguns dias;
Aumento das queimadas e da fumaça;
Redução do nível dos rios;
Maior risco de impactos na pesca, agricultura e abastecimento.
Os efeitos da estiagem podem se estender até o início de 2027, dependendo das condições climáticas.
Como a população pode se proteger?
A Defesa Civil orienta que a população adote medidas simples para reduzir os impactos da seca: Beba bastante água ao longo do dia;
Evite exposição ao sol entre 10h e 16h;
Umidifique os ambientes sempre que possível;
Evite atividades físicas intensas nos horários mais quentes;
Não faça queimadas para limpeza de terrenos ou áreas rurais, prática que é proibida e agrava a poluição do ar;
Economize água para evitar desperdícios durante o período de estiagem.
As autoridades reforçam que a prevenção é fundamental. Com a chegada do período mais crítico da seca, a colaboração da população será essencial para reduzir os impactos do El Niño e preservar a saúde, os recursos hídricos e o meio ambiente em Porto Velho.
Por André Soares com informações oficiais da Prefeitura de Porto Velho
