“Ajuda, mãe”, pede menininho de Vilhena que morreu durante viagem para buscar atendimento médico em Cacoal

PUBLICADO EM: julho 16, 2026

“Como é que uma cidade tão grande e rica como Vilhena não tem uma UTI pediátrica?”

O FOLHA DO SUL ON LINE acaba de entrevistar outra moradora do Cone Sul de Rondônia que perdeu um filho de forma dramática esta semana. E ela anunciou sua adesão à iniciativa de outras duas mães que já começaram a lutar pela instalação de uma UTI Pediátrica em Vilhena (ENTENDA AQUI).

A breve história do pequeno João Miguel de Souza Azevedo, que completaria 4 anos no mês que vem, foi marcada por uma intensa luta para sobreviver, iniciada ainda na barriga da mãe, Larissa Azevedo, de 28 anos, moradora do distrito de Perobal, a cerca de 40 km de Vilhena.

Segundo a entrevistada, para corrigir uma má formação na coluna do bebê, ela precisou assinar um documento autorizando a cirurgia fetal, que foi feita em São Paulo. Apesar dos muitos problemas de saúde, incluindo hidrocefalia, João Miguel era um garotinho alegre e independente, que não via a hora de começar a estudar.

No último domingo, 11, o menino almoçou e brincou com os 2 irmãos na casa da avó. No dia seguinte, amanheceu se queixando de dores “no pé da barriga”, mas a mãe achou que se tratava do problema de bexiga que ele já enfrentava.

Mesmo assim, o garotinho foi levado para o Hospital Municipal de Colorado do Oeste, e ali medicado. Porém, exames constataram que a diabetes, doença que ele não tinha, havia chegado a um pico de 300. Por causa disso, ele começou a beber muita água e suplicar: “ajuda, mãe”.

Diante da situação, o menino foi regulado para Cacoal, pois em Vilhena o atendimento pediátrico só era feito até as 22:00h daquela data, mesmo limite de horário para a realização de uma tomografia que ajudaria a avaliar a situação.

Transferido de ambulância para ser atendido em Cacoal, o pequeno coloradense começou a piorar quando o veículo estava saindo de Pimenta Bueno. Durante 40 minutos, a equipe a bordo da ambulância tentou reanimar o paciente.

“As duas enfermeiras e o médico que nos acompanhavam eram todos muito bons, e fizeram tudo que era possível. O médico falava de milagre ao tentar reanimar meu filho, e uma das enfermeiras chorava de desespero por não ter o que fazer”, lembra a mãe, ao reforçar que a falta de pediatra e a não realização da tomografia causaram a tragédia.

João precisou ser intubado antes de ser levado para um hospital de Pimenta Bueno, onde chegou praticamente sem vida, e onde o óbito foi declarado instantes depois.

A mãe, que chegou a assinar a papelada, disposta a dar a vida pelo filho com má formação, operado em seu ventre, delicado procedimento executado em São Paulo, desabafa: “como é que uma cidade tão grande e rica como Vilhena não tem uma UTI pediátrica?”, questiona, juntando-se na cobrança às outras mães que, nesta semana, viveram episódios de dor parecidos entre si.



Fonte: Folha do Sul

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