O Brasil parou para acompanhar o caso do motorista de app executado após gravação chocante

PUBLICADO EM: junho 02, 2026

 

O caso de Antônio Marcos dos Santos Filho, de 23 anos, conhecido como "Gordinho da Revoada", ultrapassou as fronteiras de Rondônia e passou a ser destaque em páginas de notícias, perfis policiais e veículos de comunicação de diferentes estados. A divulgação das imagens dos momentos que antecederam sua morte contribuiu para que o caso ganhasse dimensão nacional.

A gravação, feita dentro de um veículo em movimento, mostra Antônio sentado no banco traseiro enquanto é submetido a um intenso interrogatório por homens armados. Visivelmente nervoso, ele tenta explicar sua versão dos fatos, nega ter traído qualquer grupo criminoso e faz repetidos apelos para que sua família não seja alvo de represálias.

Em um dos trechos mais marcantes do vídeo, o jovem implora pela própria vida e pela segurança da esposa. "Por favor, não faz nada comigo, nem com minha mulher, nem com ninguém. Esse dinheiro eu não tenho, eles não me mandaram nada", afirma durante a gravação.

Pelas conversas registradas no vídeo, toda a situação dá a entender que a motivação do crime estaria relacionada ao desaparecimento ou roubo de uma carga de entorpecentes. Os criminosos acusam Antônio de ter participado de uma suposta emboscada para desviar a carga ou de ter fornecido informações que facilitaram a ação. Em diversos momentos, eles questionam uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 5 mil que teria sido depositada em uma conta ligada à esposa da vítima.

Durante o interrogatório, Antônio insiste que também teria sido ameaçado anteriormente e afirma que homens armados chegaram a colocar uma arma em sua boca para obrigá-lo a fornecer informações. Ele tenta convencer os sequestradores de que não teve participação no suposto desaparecimento da carga e que estava sendo usado por outras pessoas envolvidas na situação.

A sequência dos fatos narrados no vídeo dá a entender que o entorpecente roubado teria sido levado para negociação justamente com quem seria apontado como o proprietário da carga, circunstância que teria desencadeado uma série de represálias e culminado na emboscada contra o motorista por aplicativo.

O conteúdo da gravação expõe aquilo que investigadores costumam chamar de "tribunal do crime", prática utilizada por facções e grupos criminosos para julgar, ameaçar e punir pessoas consideradas responsáveis por prejuízos ou traições. Além de servir como uma espécie de prestação de contas para integrantes da organização, esse tipo de registro também costuma ser utilizado para espalhar medo e demonstrar poder.

Mais do que o crime em si, chama a atenção a forma como o caso foi exposto. A gravação de vídeos e a divulgação de imagens dão a impressão de que os criminosos queriam enviar uma mensagem de medo para toda a população, e não apenas atingir uma vítima específica. Esse tipo de estratégia lembra métodos usados por grupos extremistas e organizações terroristas ao redor do mundo, que registravam suas vítimas para demonstrar poder e espalhar pânico.

O corpo de Antônio Marcos dos Santos Filho foi encontrado na região de Guayaramerín, na Bolívia. As circunstâncias do sequestro, da execução e da participação de todos os envolvidos continuam sendo investigadas pelas autoridades.




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