Conhecido nas fábulas por se disfarçar para se aproximar de suas vítimas, o personagem do "lobo em pele de cordeiro" acabou sendo lembrado por críticos do deputado federal Fernando Máximo (União Brasil-RO) após a divulgação de reportagens da imprensa nacional que colocaram o parlamentar no centro de uma polêmica envolvendo a chamada Lei Felca.
As matérias publicadas por veículos de alcance nacional e internacional como o Intercept, apontam que Fernando Máximo apresentou emendas durante a tramitação de propostas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo as reportagens, as alterações defendidas pelo parlamentar coincidiam com interesses de grandes empresas de tecnologia que buscavam reduzir os impactos das restrições previstas na legislação.
A controvérsia ganhou ainda mais repercussão após os veículos noticiarem que duas das quatro emendas atribuídas ao deputado teriam sido elaboradas por um representante ligado ao setor de tecnologia que atua acompanhando discussões legislativas em Brasília.
A legislação em debate tinha como foco ampliar mecanismos de proteção para menores de idade na internet, criando regras voltadas à segurança digital de crianças e adolescentes, por isso, qualquer iniciativa vista como flexibilização dessas medidas acabou provocando forte reação de entidades, especialistas e setores da sociedade civil.
O episódio também gerou críticas devido ao histórico político e religioso de Fernando Máximo. Durante sua trajetória pública, o parlamentar construiu parte de sua imagem associada à defesa de valores familiares e pautas conservadoras, discurso que lhe garantiu apoio expressivo de segmentos religiosos do eleitorado rondoniense.
Para os críticos, a divulgação das reportagens cria uma aparente contradição entre o discurso de proteção à família e a atuação parlamentar descrita pelos veículos de comunicação. Já apoiadores do deputado argumentam que as propostas tinham como objetivo aperfeiçoar o texto legislativo e garantir maior equilíbrio regulatório.
A polêmica segue repercutindo no cenário político nacional e em Rondônia, especialmente porque envolve um tema considerado sensível: a proteção de crianças e adolescentes diante dos riscos existentes nas redes sociais e demais plataformas digitais.