Acusado de matar a própria irmã tenta tirar a própria vida após prisão; delegada aponta crime motivado por “ódio ao feminino”

Um crime de extrema brutalidade e que chocou pela violência e pelas circunstâncias familiares ganhou novos desdobramentos após a prisão do principal suspeito. Acusado de matar e abusar sexualmente da própria irmã, uma adolescente de 17 anos, o jovem Marcos Pereira Soares, de 23 anos, tentou tirar a própria vida após ser detido e afirma ser inocente.
O caso foi registrado em Cuiabá, capital de Mato Grosso, e vem gerando forte repercussão pela crueldade dos detalhes e pelo histórico do investigado. Em depoimento, visivelmente abalado, Marcos negou qualquer participação no crime e disse estar sendo acusado injustamente.
“Não fui eu que matei ela. Estão me acusando de algo que não fiz. Eu não tenho nada a ver com isso”, declarou enquanto era conduzido por policiais. Em outro momento, revelou ter tentado tirar a própria vida dentro da unidade policial. “Preferia morrer do que pagar por um crime que não cometi”, afirmou.
Apesar da negativa, a investigação reúne uma série de elementos que colocam o suspeito no centro do caso. A adolescente estava desaparecida desde o dia 10 e foi encontrada morta na noite do dia seguinte dentro do córrego Vassoura, no bairro Três Barras. O corpo apresentava sinais claros de violência extrema, além de indícios de abuso sexual, que ainda dependem de confirmação pericial.
Familiares relataram que, horas antes do desaparecimento, Marcos teria ido até a residência onde a irmã morava e iniciado uma discussão. Durante o conflito, ele teria retirado a jovem do local à força e a levado em uma motocicleta. Depois disso, ela não foi mais vista.
A situação levantou ainda mais suspeitas quando o próprio acusado apresentou versões contraditórias sobre o paradeiro da irmã, mesmo estando com o celular da vítima. Ao perceber que poderia ser confrontado, ele fugiu e se escondeu em uma área de mata nas proximidades.
Enquanto isso, familiares iniciaram buscas e acabaram encontrando o corpo da adolescente por volta das 21h30, em um cenário que evidencia a brutalidade do crime. A vítima estava parcialmente submersa, enrolada em um lençol, sem roupas e com sinais de agressões. Partes do corpo estavam amarradas e havia indícios de tentativa de ocultação.
A Polícia Militar foi acionada e isolou a área para os trabalhos da perícia. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde exames devem confirmar a causa da morte e a suspeita de violência sexual.
Marcos foi localizado e preso ainda na mesma noite, caminhando por uma avenida da capital. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa solicitou a prisão temporária, e ele deve responder por crimes graves, incluindo feminicídio, estupro, sequestro e ocultação de cadáver.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, a motivação do crime pode estar ligada a um sentimento de ódio contra mulheres. “Trata-se de um feminicídio clássico, marcado por desprezo ao feminino”, afirmou.
Outro ponto que chama atenção é o histórico criminal do suspeito. Ele já havia sido condenado a 19 anos de prisão por homicídio e possui diversas passagens por crimes como roubo, tráfico de drogas, violência doméstica e estupro de vulnerável. Mesmo assim, estava em liberdade recente após progressão de regime.
A polícia também investiga a possível participação dele em outros crimes com características semelhantes, o que pode indicar um padrão de comportamento violento.
O caso segue sob investigação e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias, à medida que os laudos periciais forem concluídos. A brutalidade do crime e os elementos já levantados reforçam a gravidade da ocorrência e o impacto causado na comunidade.
Com informações do RepórterMT e Jornal Rondônia